terça-feira, 14 de abril de 2009
domingo, 21 de dezembro de 2008
“Os homens não amam aquilo que cuidam que amam. Por quê? Ou porque o que amam não é o que cuidam, ou porque amam o que verdadeiramente não há. Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima, e não vidros; quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama, e não defeitos. Cuidais que amais diamantes de firmeza, e amais vidros de fragilidade; cuidais que amais perfeições angélicas, e amais imperfeições humanas. Logo, os homens não amam o que cuidam. Donde também se segue que amam o que verdadeiramente não há, porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam, e o que se imagina e não é, não o há no mundo.
(...)
Os homens amam muitas coisas, que as não há no mundo. Amam as coisas como as imaginam, e as coisas como eles a imaginam, havê-las-á na imaginação, mas no mundo não as há.” [2]
(...)
Os homens amam muitas coisas, que as não há no mundo. Amam as coisas como as imaginam, e as coisas como eles a imaginam, havê-las-á na imaginação, mas no mundo não as há.” [2]
Resumo
Ela pensava que a vida se resumia nisso
No vento que vinha do mar por entre os prédios
encontrar seu rosto no meio de uma música
Fizesse sol ou chovesse
ela com isso lembrava-se dos dias deixados atrás...
Nunca conheceu nada mais agradável do que sua miopia consentia
E se contentava...
Não tirou vantagem do tempo disposto a ela
Pois correr sem direção é uma mentira
E passou sua liberdade indiferente
Sem saber o que é tristeza ou alegria
Pois não conhecia nada.
Ela pensava que a vida se resumia nisso
Talvez uma aspiração momentânea...
Talvez um desejo indefinido...
Talvez um dever a cumprir...
Mas nunca descuidou do vento que vinha do mar por entre os prédios
Encontrar seu rosto no meio de uma música.
1973.
No vento que vinha do mar por entre os prédios
encontrar seu rosto no meio de uma música
Fizesse sol ou chovesse
ela com isso lembrava-se dos dias deixados atrás...
Nunca conheceu nada mais agradável do que sua miopia consentia
E se contentava...
Não tirou vantagem do tempo disposto a ela
Pois correr sem direção é uma mentira
E passou sua liberdade indiferente
Sem saber o que é tristeza ou alegria
Pois não conhecia nada.
Ela pensava que a vida se resumia nisso
Talvez uma aspiração momentânea...
Talvez um desejo indefinido...
Talvez um dever a cumprir...
Mas nunca descuidou do vento que vinha do mar por entre os prédios
Encontrar seu rosto no meio de uma música.
1973.
sábado, 20 de dezembro de 2008
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As cidades e a Memória - Italo Calvino
As cidades e a memória
Ítalo Calvino
Ítalo Calvino
Em Maurília, o viajante é convidado a visitar a cidade ao mesmo tempo em que observa uns velhos cartões postais ilustrados que mostram como esta havia sido: a praça idêntica mas com uma galinha no lugar da estação de ônibus, o coreto no lugar do viaduto, duas moças com sombrinhas brancas no lugar da fábrica de explosivos. Para não decepcionar os habitantes , é necessário que o viajante louve os cartões postais e prefira-a à atual, tomando cuidado, porém,, em conter seu pesar em relação às mudanças nos limites de regras bem precisas: reconhecendo que a magnificência e a prosperidade de Maurília metrópole, se comparada com a velha Maurília provinciana, não restituem uma certa graça perdida, a qual, todavia, só agora pode ser apreciada através dos velhos cartões postais, enquanto antes, em presença da Maurília provinciana, não se via absolutamente nada de gracioso, e ver-se-ia ainda menos hoje em dia, se Maurília tivesse permanecido como antes, e que, de qualquer modo, a metrópole tem este atrativo adicional – que mediante o que se tornou pode-se recordar com saudades daquilo que foi.
Evitem dizer que algumas vezes cidades diferentes sucedem-se no mesmo solo e com o mesmo nome, nascem e morrem sem se conhecer, incomunicáveis entre si. Às vezes os nomes dos habitantes permanecem iguais, e o sotaque das vozes, e até o traço dos rostos; mas os deuses que vivem com os nomes e nos solos foram embora sem avisar e em seus lugares acomodaram-se deuses estranhos. É inútil querer saber se estes são melhores do que os antigos, dado que não existem nenhuma relação entre eles, da mesma forma que os velhos cartões postais não representam a Maurília do passado mas uma outra cidade que também por acaso se chamava Maurllia.


